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terça-feira, 21 de junho de 2016

O amor cega

 
O amor cega

O amor cega.

Já o meu, na contramão, tece e mantém os olhos bem abertos. Eu o vi e reconheci. Sabia que ali morava a troca, as realizações, os aprendizados e as carências. Ali estava meu melhor companheiro.

Olha, mas olha mesmo! Aqui, já tão perto, está minha paixão.

Mais que carinho, afinidade, gostos similares... meus olhos não viram um namorado, nem um melhor amigo. Embora não seja fácil achar um bom parceiro de viagem, mas esse seria mais. Guardávamos já muitas historias em terras distantes e emoções tão fortes quanto por aqui.

E o sentimento eu acertei logo de cara. Ora, diriam os tolos, como sabe?

Eu sei! E isso basta!

Mentia.

Eu sei por associação. Sei porque já senti, porque já vivi , porque já amei.

Ao contrario da primeira vez, meu amor foi à primeira vista. Eu, boba, desacreditava desse jeito romântico de conduzir e explicar as coisas. Enganei a mim mesma.

Meus olhos viram! E gostaram rapidamente do que estava à frente. E, digo mais, gostaram tanto que nunca mais se atreveram a tirar de você.


No fim, eu aprendi que o que meus olhos veem, o meu corpo sente inteiro sente instintiva e imediatamente. 



terça-feira, 14 de junho de 2016

Entre coordenadas e liberdades



Entre coordenadas e liberdades

Já estava quase indo embora”... sim, essas foram as primeiras palavras – austeras – que pronunciei para o Felipe. Ele tinha demorado muito – ok, dez minutinhos além do combinado – e eu já estava de saco cheio de esperar. Ele deve ter me achado ou maluca ou cheia de atitude, já que nos papos pela internet eu não tinha mostrado as garras.
Não me lembro do que ele disse, mas de qualquer forma, contornou bem a situação. 

Fomos andando sem muitas palavras e nos sentamos do lado de fora de um bar que outrora foi refúgio meu e de outros pares.

Hora de ressignificar!

Conversamos sobre a vida, sobre o filho dele, sobre as viagens, nas furadas que nos metemos em viagens, o que eu teria feito se fosse ele e o que ele fez sendo ele mesmo. No final, acertamos os signos e ascendentes e nos beijamos. Felipe só faltou ser condescendente com sua lua em leão, o que de longe não é o meu forte.

Marcamos o segundo encontro. Eu não estava animada, muito menos curiosa. O que me encorajava no início não fez nem cosquinha dessa vez. Afinal, o inesperado, a expectativa e o desconhecido é o que me moviam na noite em que nos conhecemos. Parece que tudo já perdera a graça.

Mas, dei a oportunidade.

Felipe passou às oito horas para me resgatar de um aniversário de uma amiga. O clima estava bom e, por um momento, pensei em dar o bolo no gatinho. Mas, tamanha era a vontade dele em me ver... que resolvi respeitar o moço. Me aguardavam um beijo e um abraço daqueles difíceis de desgarrar. 

Gostoso. 

E assustador.

Sufocante.

E ameaçador.

Deu medo do futuro e um filme passou pela minha cabeça. O dominador leonino intimidaria toda e qualquer liberdade da mulher taurina.

Criei meiguice.

E criei dissimulações.

Vieram fraudes.

E choveram pretextos.

Ao fim, criaram-se feras.


E desenvolvi asas.



segunda-feira, 4 de abril de 2016

Desapega!


Desapega!

Desapega de mim. Para de me procurar em horários impróprios. Sabia que eu durmo? Que eu trabalho? Que eu tenho meus casos e não quero ser incomodada na minha intimidade?

Passou. Desapega. Não quero encontrar você na saída do curso. Não quero ver tua cara. Não quero surpresa. Não quero preocupação quando sua sogra não tá bem.

A minha vida tá ótima. Sem você. Não entendeu que a minha vida é sem a sua? Já foi. Já foi a mesma. Já foi uma só.

Não é mais. Eu e você não somos mais. Me deixa livre. Me deixa sofrer sozinha. Você perto não ajuda. Me deixa respirar. Me deixa falar com quem eu quero, usar o vestido que eu escolhi, voltar pra casa a hora que me der na telha.

Desapega! E larga meu braço, eu tô pedindo.

Não me machuca.

Me esquece, me larga e segue tua vida.

Apaga meu número do seu celular, esquece a hora que acordo e do meu cansaço no fim do dia. Não pergunta como estou.

Não quero você perto. Não quero saber se engordou, se emagreceu, se planeja viajar, se comeu direito, se comprou a blusa que queria nem qual bar você anda frequentando.

Desapega! Se cruzar comigo, atravessa a rua. Finge que não me conhece.

Já falei para me largar.

Larga, tá me machucando.

Vai embora! E leva contigo tudo que me fez apaixonar. Vai com esse sorriso de canto de boca, com suas ideias revolucionárias, com seu feminismo arrebatador. Não quero seu olho no meu. Nem sua mão na minha.

Vai. E não vira.

Vai!

Já falei pra ir?


Já foi?



segunda-feira, 7 de março de 2016

Fim (?) de festa

 

Fim (?) de festa

- Oi.. oi?

Ele virou a cabeça pro lado.

- Você tá há muito tempo aqui?

- Ah.. um pouquinho....

- E tá indo pra onde?

- Tijuca.

- Mas passa ônibus aqui pra Tijuca?

- Já tô começando a achar que não.

- ;-) ;-) Vai pra Lapa e de lá pega um pra Tijuca. É mais garantido. ;-) ;-)

- É... ;/ ;/ é, uma boa ideia. ;-)

- Olha... não é ele?

- É! Vamos pegar esse?!

- Não acredito!! Passou direto!

Filho da puta, xinguei baixinho.

- Relaxa, o pior já passou.

- ?

- É... a chuva de mais cedo.

- Ah, sim sem dúvida. Ah chuva... mas eu tava resguardada do alagamento.

-?

- Bar, amigos... perfeito pra esperar o temporal parar.

- Agora sim! Esse serve pra gente, né?

Serve, claro que serve pra gen-te, pensei.

Ele me cedeu o lugar. Passei primeiro e logo sentei. No corredor, porque assim não corríamos o risco de sentarmos juntos. Mentira! Ah... mentira deslavada! ;-)) A verdade é que 
todos os bancos estavam muito molhados.

Mas, já dizia minha vó, quem quer mostra que quer. Não é mesmo?

Então, ele se sentou bem do meu lado. De um jeito que o vão do corredor ficava entre a gente, mas não deixava que os olhares e o papo continuassem. 

- Chegamos! Vamos descer aqui, apontei.

- Então... não corre.

- ;-)

- Vamos tomar um chopp.

- ;-)

- Vem!

Me puxou pela mão decidido. E o melhor, não me senti comandada. Na real, odeio me sentir assim: como se tivesse que ir onde mandam. Mas obedeci, delicada e fielmente.

- Acho que todos os lugares estão fechados. ;( Melhor ir pra casa.

- Você quer?

- ?

- Ir pra casa?

- Tá bom,  vamos procurar um lugar pra saideira. Mas só uma! Só uma cerveja, ok?

- ;-)

Achamos! Mentira também. Ele achou. Ficamos em pé bebendo uma Antartica no litrão. Bem num clima fim de festa. Longe do encontro perfeito que geralmente é quase que banhado em Veuve Clicquot.  

Papo vai, papo vem.

- ;)

- :)

28 anos, solteiro, contador, viajante, trilheiro, roots, curte reggae e jazz, adora crianças, mas não quer uma nem tão cedo, está juntando dinheiro pra ir pra Itacaré.

- Está começando a chover.

- É...

- E fora que está na minha hora... aliás já até passou.

- Tá bem, te deixo lá.

- :/

Fomos andando ainda conversando sobre viagens e filhos. São esses os assuntos que, nos meus 30 anos, mais me interessam.

- Eu moro aqui.

Ensaiei pegar a chave para abrir o portão. Mas veio a mão tímida puxando o meu corpo para mais próximo dele. Não titubeei.

Depois do longo e já aguardado beijo, fiquei tímida. E, quase que olhando pra baixo, disse:

- Vou subir.

- Tá bem. Me deixa seu número, pode?

Eu pensei em dar o telefone errado, assim como fazia com os carinhas da noitada no auge dos meus 15 anos. ;/ ;) ;))

- Desculpa, mas esqueci o seu nome...

 - ?

- ;/

- Tiago...

- Tiago do quê?

- Tiago Rodrigues.

- Ah, beleza. É só pra diferenciar aqui no whatsapp.... tem vários Tiagos.





terça-feira, 1 de março de 2016

‘Depois do Amor’, uma história da incompreendida Marilyn


‘Depois do Amor’, uma história da incompreendida Marilyn 

E depois do amor, fazer o quê? É matar ou morrer! Ou você corre atrás de explicações, enredos que não deram certo, lembranças inacabáveis e sonhos não percebidos ou você se acaba. Acaba a luz, o ar, a motivação e o viver o amor de novo.

Na peça “Depois do Amor - um encontro com Marilyn Monroe”, em cartaz no Rio de Janeiro, no Teatro Vannucci - Shopping da Gávea, Daniele Winits dá vida à sex symbol e Maria Eduarda de Carvalho vive sua antagonista, Margot Taylor. As duas rivais recordam os amores vividos – e bem vividos – e travam uma batalha regida por sensualidade e sentimentos complexos. Ora Marilyn se coloca como a insegura, pedindo desculpas a amiga por ter lhe roubado o namorado, ora se coloca como uma mulher digna de subir num salto 20 e levar os homens a ver-da-dei-ra loucura.

Uma guerra perdida. Porque, como todos sabem, a loira cobiçada se afundou em remédios, vícios e psicopatias por anos. A surpresa fica por conta de Margot, a camareira, que se mostra feminina, mesmo não sendo conhecedora de sexo como sua ex-amiga – sim, as duas eram bem próximas - nem digna de estonteante beleza. A mulher traída se faz vingada quando a sua escolha fica clara: casara-se novamente, tem uma filha e já espera um novo herdeiro. Tudo que Marilyn almejava.

Enquanto a diva do cinema, falida em seu segundo casamento, sem conseguir comparecer aos estúdios de Hollywood para filmar e ainda perseguida pela CIA, sofre sozinha, Margot se refaz. Passaram-se dez anos até o encontro derradeiro das duas. Uma de frente para outra, colocando tudo em pratos limpos.

A mulher incompreendida sofre por não conseguir ser o que queria, sofre por ter escolhido amores efêmeros, sofre por não ter encontrado afeto. Sim, é possível escolher. Marilyn se separou de Joe DiMaggio, seu segundo marido, por querer transformá-la numa dona de casa. Um começo de relacionamento já conturbado, justamente por ter sido o pivô da separação de Margot, e um fim derradeiro: ficaram apenas nove meses juntos.  

Quantas vezes trocamos amores por ambições? Trocamos amores duradouros – com problemas, indefinições ou mesmo barreiras aparentemente intransponíveis – por afetos momentâneos?

Não é amor que machuca. O amor só fortalece. O que machuca é a manifestação do ego, o que para Marilyn era como que um vício.

A última peça dirigida por Marilia Pera deixa uma pergunta: que mulher você escolhe ser?

Um aviso: a resposta em reticências não é mais válida.


Serviço:
Oi, o quê? “Depois do Amor - um encontro com Marilyn Monroe”
Onde? Teatro Vannucci- Shopping da Gávea (Rua Marquês de São Vicente 52 – 3º andar, Gávea)
Ah, beleza. Quando?  Quinta a sábado 21h30, Domingo 20h. Até 6 de março.
E quanto custa? R$80



segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Oi! Sou eu! Prazer.

 

Oi! Sou eu! Prazer.

A vida se encarrega. Foi ela que me pegou pelos braços e me trouxe até aqui.

Foi ela quem me viu por aí solitária, meio perdida e me fisgou. Foi essa aí mesmo que me disse que eu era forte, que eu impunha já meu jeito de andar as certezas dela mesma.

Numa manhã de um dia desses, ela virou para mim e disse: vai!

E eu? Atônita. Vou pra onde?

Onde me acho? Onde me encaixo?

A resposta não veio. Mas eu fui. Corpo ereto, concentrada e focada num ponto fixo logo à frente.

Ops.

Tropecei.

Merda.

Olhei pra baixo instintivamente checando meu corpo, se havia machucado, se havia me ferido, se havia sangue. Calma, guria! Tá tudo certo!!

Ergui meus olhos e lá estava ele.

A morte, pensei.

Puta que pariu.

É só ficar tudo bem, tudo caminhando como tem que caminhar, tudo dando certo que vem a porra de uma distração qualquer que te joga no chão.

Muito rápido levantei.

Ok, bora encarar a morte de frente.

Foi só eu tentar balbuciar alguma coisa que o vento forte me fez perder os sentidos. Fiquei confusa, tanto que não sentia meus pés firmes. Aquela força toda me faria volitar. Eu me abati na hora. Até tentei manter a ordem das coisas, mas não enxergava realmente mais nada.

Passou. Coração já vai voltando, batendo conforme os padrões da normalidade.

Pausa.

Ele continuava lá. Na minha frente, parado.

Voltei a tentar falar. Nesse momento veio uma fraqueza nas pernas, uma tontura, quase caio mesmo sem nada ter acontecido. Será que essa coisa está influenciando o meu inconsciente?

Em pensamento, neguei.

E ele? Ele continuou lá, no mesmo lugar.

Continuei dizendo "nãos" intermináveis dentro de mim. A negação àquilo tudo era como um eco.

Nada mudava.

Até que, enfim, a tormenta passou.

O sol apareceu! Ufa!

Abri um sorriso tímido.

Dessa vez eu esperei. Não me precipitei em saber o que estava acontecendo. Só agradeci ao alívio que senti. É bom manter os pés firmes.

E de uma forma muito calma e cordial, olhando fico nos meus olhos, ele me diz: prazer, sou eu, a paixão.


Morri!  



terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Homem Bonito


Homem Bonito

Eu sou daquelas mulheres que gosta de ver um homem bonito. E pra ser bonito não precisa ser um Adonis.

Um homem bonito tem saber olhar, tocar, se deixar ser olhado e deixar ser tocado.

Um homem bonito traz flores, ainda que de mãos vazias. Beija na boca como se fosse a última.

Um homem bonito não precisa ter “tanquinho”. Aliás, em alguns casos, pode até ter barriguinha...ou barriga... rs...

Ele, pra ser bonito, tem que mostrar que lê. Que tem cultura. Que sabe um tantinho mais que você.

Tem que amar futebol, mas deixar o jogo pra lá só por causa de você.

Precisa te admirar, pra ser bonito.

E te olhar...e te querer...

E tem que te achar bela de manhã, à noite, de dia. Com roupa, sem roupa. Penteada, despenteada.

E quando você não estiver a fim, pra ser bonito, o homem tem que entender...


Ahh! Homem bonito! Cadê você?


***Escrito por Helenildes Alcantara, minha mãe. Leia outro texto dela aqui



terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Ele não soube o que fez


Ele não soube o que fez

Primeiro veio a raiva. Depois a vergonha. E não demorou muito para a tristeza chegar.

Era assim que Berenice se sentia: triste. Não sentia falta de alguém, não estava carente, não pensava em fatos passados, muito menos tentava achar explicações possíveis. Ela só estava sem fim. Respirava fundo e parecia que o ar não acabava. A lágrima até secara, mas seu semblante era desolador. Um olhar perdido num infinito de possibilidades escuras e escusas.

Mas não foi assim que Julio a deixou. Berê, como ele mesmo a chamava, estava ensandecida. No dia fatídico ela entendera bem o real sentido do crime passional. De fato estava a ponto de cometer uma loucura. Por pouco, não recuperara a sanidade.

Quando Berenice descobriu a verdade se descontrolou por fora, mas por dentro estava certa do que fazia. Fechou os olhos e, num suspiro de coragem, foi atrás do flagrante. Assim que chegou naquela esquina, próximo onde o bonde a deixava para seguir para o trabalho, ela viu. Viu com seus próprios olhos os gracejos de Julio para com outra moça. Nada fez. Só esperou.

Primeiro o sorriso veio cúmplice. Depois veio gargalhada. E não demorou para que o beijo virasse um daqueles apaixonados.

Foi assim que a mais bela dama caiu do salto. Soltou um grito que poderia se escutar do início da rua. Julio ainda terminou o beijo, com muita calma. Nunca em tempo algum acreditaria que sua esposa estivesse testemunhando tudo.

Mas não foi assim que ele contou a família. Dissimulado, o fez com muito cuidado. Não assumiu. Aliás, nunca assumiria. Julio era o esposo perfeito, o mais bem quisto, o mais bem afortunado e em toda a história dos Campos nunca alguém haveria de ter passado uma vergonha dessas.

Quando Berenice fechou os olhos novamente procurando seu eixo, ela pensou em como os abriria novamente. E abriu. E olhou para frente. Subiu no salto novamente. Cruzou a esquina.

Primeiro veio o olhar. Depois a lágrima. E não demorou muito para o desespero chegar.
É assim que as mulheres sentem quando são traídas? Cheias de ódio que as deixa sem prumo? Sem chão? Vermelhas de raiva? Como recuperar o rubro dos lábios e partir? Cabeça erguida? Chance de conseguir voltar inteira para casa, isso sim importava.

Mas não foi assim que Matos a percebeu. Ele, distinto, não se assustou, mas, sim, sentiu uma vontade enorme de colocá-la entre seus braços.

Quando Berenice percebeu já estava sendo acolhida. E se sentiu confortável e estranhamente segura.


Primeiro veio o toque. Depois a percepção do quão belo ele era. E não demorou muito para virar vício. 



segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

O próximo encontro

 
O próximo encontro

Uma mão lava a outra. O que tem que ser seu arranja uma maneira de chegar a você. Uma porta se fecha, mas uma janela se abre.

A vida é tão feita de certezas. Não sei por que eu perco tanto tempo pensando nela. Se já está tudo na frente, todos os sinais, todos os caminhos traçados, por que eu resolvi ser racional?

Eu tô falando sério. Eu sou tão racional, que chega ao ponto de quando eu estou chorando eu penso: por que eu tô chorando? Eu mereço esse choro? E se eu tivesse feito tudo diferente?

Queria ser como essas pessoas que choram por chorar. Que deixam tudo escorrer em meia hora de choro descontrolado e depois seguem sua vida. Vivem o luto, sabe?

Mas como assim? Como assim viver o luto, é possível? É ficar triste e se permitir ficar triste?? Eu heim. Eu não!

Tô fora!

Não me permito!

Pronto. Não me permito.

Inclusive já tô indo tomar o meu banho e ficar cheirosa pro meu próximo date. Ele é alto, gato, tem uma barba daquela eu gosto – quem me conhece, sabe – e me abraça como ninguém. Putz, me fez lembrar o passado. Meu pretérito passado tem um abraço que encaixa em mim que é uma coooiiisaaaaa!

Opa, parou!

Cabeça fria.

Bruno tem um sorriso largo e é cavalheiro, uma qualidade que merece ser destacada de tão raro que se tornou. Ele faz o que eu gosto e se esforça pra me fazer feliz.

Então, é com esse vou!


Ops, me atrasei. Deixa correr aqui. Beijo, me liga, tchau.  



domingo, 29 de novembro de 2015

A tal da falta


A tal da falta

Você faz falta. Faz falta rosas na sala. Faz falta sua respiração. Faz falta seu chegar no portão. Faz falta o barulho da cama ao deitar. Faz falta leite quente pela manhã. Faz falta programar a próxima viagem. Faz falta minha mão nas suas coxas nuas. Faz falta meu corpo no seu. Faz falta beijo no nariz. Faz falta de mandar tomar banho. Faz falta brincar no chuveiro. 

Faz falta minha fala interrompendo a sua. Faz falta meu suor. Faz falta seu cheiro.  Faz falta reclamar da sua mãe. Faz falta cosquinha no pescoço. Faz falta música alta aos domingos. 

Faz falta escolher o cardápio. Faz falta fazer bolo. Faz falta seu quadril.

Faz falta seu sorriso. Faz falta seu cansaço, seu ressoar dormindo, meu acordar atrasado, nosso desespero e anseio pelo fim de mais um dia, você abrir a porta, se jogar cansado e eu reclamar de mais um dia puxado.

Faz falta o futuro. Falta o passado, recorro à angustia do presente e foco na incerteza.

Falta faz o seu espaço, a sua hora, a sua intimidade, o seu “me deixa quieto”. Faz também o seu silêncio, o seu olhar que ora implora trégua ora implora mais um round.

Faz falta seus desejos, o nosso desejo, o meu que se torna o seu num piscar de olhos. E lá estamos, num rompante, sendo um só mais uma vez.

Afinal, falta mais o quê? – eu grito.


Volta – sussurro baixinho.



sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Uma coxinha de galinha, por favor!


Uma coxinha de galinha, por favor!

Esperava uma amiga. E, como ainda estava sozinha, pedi um chopp gelado. Nada contra esperar ou ficar sozinha em bar. Mas o amarelinho tem que me acompanhar. Pra mim, ajuda a distrair e o tempo passa mais gostoso.

Ela sempre fala “vamos no Sat’s”! e eu sempre fico arredia pra ir pra lá. Sempre tem algum outro compromisso e eu – confesso – evito aquela redoma. Sim, a gente senta ali e quando vê, ops, três da manhã. É muita gente boa, é muita gente bonita, é muito papo animado e sempre chega um petisco de surpresa. Falam do galeto, mas eu fico com o coração de galinha. E, olha, eu NÂO como coração de galinha – por pena mesmo. Mas ali eu me rendo.

Eu pedi o cardápio só pra olhar o que  tinha pra me oferecer. Na verdade, o Sat’s não precisa de menu. Sempre, invariavelmente, alguém vai aparecer para dar uma sugestão.

E assim o foi. Quando vejo, Ricardo está em pé na minha frente. Levei um susto porque não o via há meses. Posso dizer anos? Ele sem pestanejar deu o palpite dele: “pede o sanduíche de filet mignon com abacaxi”.

Pano preto. Vejam só minha cara.

Eu, na cara, falei: “querido, você tá confundindo com o vizinho. É o Cervantes que serve isso”.
Pense numa pessoa irônica. Prazer, eu.

Sem nem perguntar, ele se sentou. Graças a Deus, não pediu uma cerveja.  O papo continuou e ele tentou ser amistoso. Mas, acontece que não consigo. Ser uma mulher centrada, bem resolvida e discreta não significa aturar tudo. Ricardo ainda me fazia mal, me trazia lembranças ruins, de uma espécie de homem que devia ser extinta.

Estava no fundo do bar, perto do banheiro. Ali sempre é mais calmo no fim da noite. Não sei por que escolhi aquele lugar, já que eu gosto de ver movimento, falar da roupa dos outros, inventar história de vida de quem tá passando pela calçada e reparar na conversa da mesa ao lado. Mas ali estava, ali fiquei.

Ricardo ameaçou um discurso de desculpa pelas coisas que fez, mas muuuito tímido. Ameaçou uma tentativa de “vamos tentar de novo”, mas muuuito tímido. Tentou a aproximação de corpos , mas, bem, muito, muito tímido. E eu que sou exatamente o contrário disso, brinco com quem tem esse tipo de atitude. Quando tô segura, então, ninguém me segura.

Vem uma força interior que me faz subir no salto 15, ter uma barriga chapada e um cabelo ao vento. Ah, e detalhe: ando até em slow motion só para humilhar mesmo.

“Bia! Oi, Bia! Que bom que você chegou. Lembra do Ricardo?” Minha amiga não é tão dissimulada quanto eu, e acabou sendo simpática. Deu dois beijinhos e me arrastou pra mesa de banco alto do lado de fora. A desculpa poderia ter sido “quero um cigarro e aqui dentro não dá, né, Juliana? Você não sabe disso?” Mas não foi.

Bia só olhou pra mim e soltou um sorriso largo e um olhar cúmplice. “Vamos, Rafael tá te esperando lá na frente”.

Beijo, querido.


Tchau, até a próxima. 



segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Se há amor, resista

 

Se há amor, resista

“Não há amor que resista”. Foi o que ele me disse quando a primeira briga começou. Ok, não foi a primeira, mas a mais séria de todas. Nunca fomos um casal de discutir ou ter que conversar sobre todas as coisas. Alguém sempre cedia.

            Mas desta vez eu que não cedo. Cansei de ceder, me entende? Cansei de me calar. Cansei de pensar que ia passar e tudo ia ficar bem. Cansei de tentar de novo. Cansei de esquecer e ter que passar por cima. Decidi, ergui a cabeça e falei. Não falei muito, por toda a eternidade nem o fiz lembrar-se dos sermões de sua mãe. Mas, sim, falei de forma objetiva. Direta como nunca tinha sido em todos esses anos.

            Ele não retrucou. Não respondeu nem esboçou reação. Ele só saiu. E me deixou sozinha. Essa foi a pior parte, embora, no fundo, tenha gostado. Me senti aliviada por ele ter dado as costas. Afinal, era melhor encerrar por ali. Não sabia onde aquilo iria parar.

            Foi ali que o alivio virou desespero. Ele havia ido.

Balela, pensei.

Respirei fundo e mantive a postura ereta. Por dentro buscava forças enquanto recuperava o ar e procurava as palavras que se afugentaram.

Passou.

Tomei coragem.

E fui a sua procura.

Quando olhei pela fresta da porta – do nosso quarto – o vi deitado com os olhos fixos no teto branco.

Não pensei.

Fui até ele.

Cheguei perto. Encostei. Puxei seu queixo em minha direção. E eu, cúmplice e pecadora, deixei que os meus lábios tocassem nos seus.

Devagar.

Um segundo de olhos abertos. O segundo do perdão. Nos segundos seguintes, só amor.