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terça-feira, 8 de dezembro de 2015

A outra beleza [Resposta ao post anterior]

A outra beleza

É muito interessante quando a gente sofre tentando encontrar a si mesma.

A busca pela autoperfeição é um drama! Tanto sob o aspecto físico, o que, convenhamos, depois dos cinquenta fica apenas no sonho. Mesmo que se faça plástica ou se coloque botox. Aliás, lábios inchados nunca foi sinal de beleza. Aff...

Quanto no íntimo, tanto no pessoal!

Que ilusão será esta que faz com que algumas mulheres, muito mais que os homens, tentem tanto esconder suas idades e não percebem que estas vãs tentativas as fazem ainda mais velhas!!!???

Pode ser que eu esteja errada, mas os monstros que eu tenho visto me fazem gostar ainda mais das minhas rugas.

Mas, eu não quero me repetir falando delas outra vez. Prefiro falar do autoaperfeiçoamento interno, íntimo. Procuro a perfeição que me nutre, que me faz voar, me faz crescer.  Aquela que de fato nos torna mais belos, ainda que as indústrias queiram nos fazer acreditar no contrário.

Não! Não falarei de estéticas visuais! Hoje acordei com vontade de falar da grande necessidade que sinto em me tornar outra pessoa. Hoje quero deixar de lado a neurose de estar fisicamente bem. Quero deixar de lado a busca insana pela eterna juventude.

Hoje eu quero falar de mim. Não do meu corpo, não da minha aparência.

Quero falar do amor que estou aprendendo a sentir, do conhecimento que adquiri nestes 54 anos de vida. Do quanto caminhei  e do quanto ainda preciso e desejo caminhar

Quero falar dessa outra beleza. Da beleza interior. Da única verdadeira, já que sem esta a outra não sobrevive.

A beleza da Alma é a que nos nutre de juventude, de amor, de leveza.

Uma Alma triste num corpo belo? Não quero! É pura ilusão. É impossível que alguém de alma triste revele alguma beleza. Porque a tristeza não é bonita.


Belo é ter a Alma leve, feliz, suave. Por mais que queiramos acreditar que ter um corpo escultural (acho bem ridícula esta expressão) seja o sonho de todas as mulheres, no fundo, nem tão fundo assim, todas nós sabemos que o que queremos mesmo é que sejamos aceitas e amadas apesar da nossa aparência real. 


*** Texto escrito por Helenildes Alcantara, minha mãe, em resposta ao post anterior. ***



quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Confissões da manhã


Confissões da manhã


Foi só eu passar naquele corredor que a barba me chamou a atenção. Mas, discreta que sou, passei direto e ensaiei um ‘bom dia’. E, claro, recebi a resposta, educadamente.


Continuei meu caminho, mas aquela voz grossa já ressoava no meu cangote. Sim, sou rápida. Já comecei a imaginar aquela voz rouca e grave nos pés do meu ouvido, me encantando. Me chamando pra dançar? Não! Me chamando pra embarcar nas loucuras dele.

Eu, sem dizer uma palavra, pedia só pelo olhar para que ele parasse aquela tortura e fosse direto ao ponto. Eu não aguentava mais. Era uma tensão se segurar tanto quando estava louca pra satisfazê-lo. Parece que já sentia o teu cheiro e teu corpo por inteiro me incomodando entre as pernas.

Ok, passou. Respirei fundo e lá fui eu para meu destino. Passaram-se apenas quinze minutos para que a sensação voltasse. Explico: ele não tem nome, ele não tem profissão, não sei se é casado, quais são seus sonhos e ambições, é moreno, tem uma barba robusta, magro e com uma bunda que dá vontade de apertar e morder.

Ele parece esse tipo de homem que te deixa nua só com o olhar. Quando chega perto, te toca tão de leve que quase faz cócegas. Mas, na verdade, ele só quer que você o implore. E depois de tanto pedir, vem com força pra dentro de você. Aí sim. A força, a  masculinidade, o gemido e o cheiro de homem vêm à tona.

Ele não gosta de música clássica, mas conhece todos os compositores mais importantes. Ele gosta de funk e até ensaia passos engraçados para um homem. Ele não come lagosta, mas sabe bem o gosto que tem. Aliás, ele prefere o camarão frito à beira mar. Viaja pra Região dos Lagos no feriadão e adora crianças. Prefere banho frio ao quente, ainda mais quando o corpo ainda está pegando fogo.

Eu até já imagino o dia seguinte. Recuperada do fôlego que ele me tirou na noite anterior, eu abro os olhos e lá está o macho: nu, me olhando de lado, e com o membro já em riste. Só com o corpo eu digo que quero mais. Ele vem andando com aquela calma habitual. Mas eu sei que a agitação é iminente.

E eu? Atravesso o corredor com o brilho no olho e o sorriso de canto de boca que só os amantes entendem e me deparo com um ‘bom dia, tudo bem?’.