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segunda-feira, 18 de julho de 2016

A mania da areia em ficar em mim


A menina já era bem grandinha para estar num carrinho sendo empurrada pela mãe. Ela até já comia o milho verde com as duas mãos e de boca fechada, assim como  manda a etiqueta. E esperava os pais acabarem de brigar enquanto comia. Alheia à cena, olhava o mendigo a menos de três passos e baixava o olhar. A cada mordida uma possibilidade de culpa. A cada mordida uma angústia. Era dela, afinal, e não dele. Eram mãe e pai dela, era o momento dela, o milho dela, o carrinho dela. E dele e para ele o que restava?

Num relance entrei no supermercado. Logo à frente desejei que a menininha mudasse o mundo. Ela já via e sentia tanta coisa mesmo sendo tão pequena.

Na fila do pão, a tristeza me consumiu. Tinha dado espaço para ela se materializar, mas as lágrimas teimam, elas têm as horas delas. A moça atrás de mim resmungava o tempo todo. Pensei que ela, sim, tinha a tristeza morando nela. Quando me virei, vi que não era tão moça assim. E me deu pena. Simplesmente porque o tempo não perdoa. E o dela estava escasso para mudar.

São cinco, por favor.

Obrigada, um bom dia!

O pão da tarde era só mais tarde. Então, decidi aplacar a fome com um suco. Parei num lugar novo – acabara de abrir. Ali funcionava a última locadora de Ipanema. Não tinha verão que o programa pós-praia  não passasse pela Super Vídeo. Sábado era sempre certo: pelo menos três filmes a tiracolo para assistir nos próximos dias.

Peguei o cardápio colorido e fui avisada que deveria ir ao caixa para fazer o pedido. Confesso que já me deu preguiça.

Um grande de abacaxi com coco, por favor.

Sem açúcar.

Recebi um quadrado que vibrava quando o pedido ficasse pronto. Mais preguiça ainda.

Tem a senha do wifi? Qual é, por favor?

Abriu hoje?

Ah... vai até uma da manhã... nossa! O povo da larica vai fazer fila aqui.

Ops, tremeu.

Lá vou eu.

Peguei. Bebi. E lá vai tudo pro lixo.

Para que tanta gente trabalhando se o atendimento é auto?

Se adapta ao american way of life, Juliana!


Cara, na boa, carioquices à parte, o que eu curto mesmo é o Arpoador!



quarta-feira, 29 de junho de 2016

Ela mudou! E foi pra melhor?

Muito se discute sobre a exposição feminina quando o assunto é comercial de cerveja. Já figuraram gostosas, peitudas, sambistas, bundudas, boas de copo e de perna e vozes com aquele tom masculino – típico de quem toma suplementos para malhar. Parecem realmente terem saído de academias ou de revistas de marombeiros.

Claro, em nada se parece com as belas, recatadas e do bar que batem ponto nos botecos da cidade. Mulher boa é aquela que escolhe ser o que quer e assume isso! Se encostar no balcão e pedir uma gelada com jeitinho ganha muitas madrugadas de azaração, papos políticos e confidências que só um bar permite.

Algumas geladas acertaram de bate e pronto no design e concepção dos rótulos. Olha só:
   



Já a Itaipava foi uma que mudou de cara recentemente. E tem explicação: quer ganhar mais espaço no mercado. Na última edição da pesquisa Top of Mind, anunciada em julho de 2015, a marca conquistou o terceiro lugar entre as cervejas mais lembradas pelos consumidores.


Enquanto aqui no Rio as artesanais ganham cada vez mais espaço, a Itaipava avança no Nordeste. Por lá, a marca chegou em 2012 e é a mais vendida em diversos estados. A meta é que até o fim deste ano, todo o Brasil conheça a nova embalagem. 






segunda-feira, 27 de junho de 2016

TOP 5: lugares para ouvir, dançar e chorar ouvindo jazz



O jazz já embalou muitas noites de amor minhas, mas poderia ter sido a trilha sonora de algumas brigas também. É clássico, sensual e melancólico. Depende do dia. Depende da companhia. E do que te embala. Não à toa uma das minhas cervejas prediletas – no momento – é a Jazzy. Forte, com gengibre e servida num copo de respeito. Tudo que é bom: aquele prazer que dá no final – e que você re-al-men-te só se percebe quando acaba -, farta, robusta e de sabor inigualável. 

Meu Deus, como não escutar Nina Simone agora?
Sim, eu quero. E agora!


Se estiver no Rio de Janeiro, vá numa das dicas da Ju aqui e aproveite para ouvir, dançar ou chorar ouvindo jazz. 
É só escolher!


TribOz

Enquanto há música ao vivo, reina o silêncio. Na casa, todos são convidados a ficarem calados enquanto os músicos se apresentam. E a regra é levada a sério. O duo Alma Thomas e Trajano e Andrea Dutra dão expediente por lá com repertório de jazz e blues. A programação de quinta a sábado embala happy hours de forma elegante e descontraída.

Rua Conde de Lages, 19, Centro.
Telefone: 2210-0366 6h/1h
Couvert: R$ 15,00 a R$ 30,00

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Il Piccolo Caffè Biergarten

Um ambiente aberto nos fundos do bar e uma carta que gira em torno de 100 rótulos de cerveja. As quartas-feiras são dedicadas ao choro, as quintas-feiras são dias de bossa nova e MPB enquanto as sextas-feiras se alternam com samba, bossa nova, pop rock, MPB e jazz.

Rua dos Inválidos, 135, Centro
Telefone: 2509-0682
Couvert art.: R$ 10,00 às quartas-feiras 

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Bar do Marcô

Um casarão rústico e charmoso em Santa Teresa, que ainda mantém o ventilador de teto. A peça está lá quase que por enfeite, já que no verão carioca o ar-condicionado da casa não desliga. A música cria um ambiente agradável às refeições. Na sexta, acontece o show de bossa nossa e jazz.

Rua Almirante Alexandrino, 412, Santa Teresa.
Telefone: 2531-8787
Couvert: R$ 10,00

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Charleston Bubble Lounge
O estilo clássico do salão remete aos anos 20. À noite o lustre impera no ambiente mais escuro. A programação inclui jazz nas quartas-feiras e chorinho nas quintas.

Rua Rodolfo Dantas, 16, loja B, Copacabana.
Telefone: 3795-3158
Couvert: R$ 18,00

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Dry Martini Rio
Tem em Madri, Barcelona, Cingapura e Londres, mas só o Rio de Janeiro possui cardápio de caipirinhas. Um adendo especial: às sextas-feiras tem jazz ao vivo a partir das 21h.

Avenida Niemeyer, 121 (Sheraton Hotel), Leblon.
Telefone: 2529-1289
Couvert: não é cobrado.
  


segunda-feira, 14 de março de 2016

LISTA: o que aprendi com meus 30 anos














LISTA: o que aprendi com meus 30 anos

1 – Fazer exercício é fundamental

Ainda não tem certeza que chegou na casa dos 30? Então espera só para sua coluna travar! Cadê aquela virilidade toda? De virar noites dançando nas nights da vida? De subir correndo dez andares... fazer estripulias na piscina? Isso acabou! Agora sua vida é reclamar do trânsito, chegar no trabalho e ficar na frente de um computador e tomar café – ah, esse bem precioso! Agradeço por mais um xicarazinha! ;)  

Aí você recorre a acupuntura, meditação com cristais, pilates, RPG e até cartomante pra saber alguma fórmula mágica da dor passar. Pois é, queridinha, só vai melhorar mesmo se fizer exercícios com frequência. Não precisa virar a Pugliese – também ninguém aguentaria aquela vida só de maromba – mas vai dar uma caminhada na praia no fim de tarde e posta foto do pôr-do-sol. Combinado?


2 – Homem seguro é tu-do!

Podemos falar de quando o cara tá a fim, de quando não quer nada com nada, daqueles que chegam aos 30 – como nós – e ainda continuam na barra da saia da mamãe, daqueles que não se descobriram nem na profissão... sim, podemos. Enquanto nós já sabemos como decorar a casa nova, quantos filhos vamos ter e até já tem to-dos os detalhes da festa de casamento na cabeça. Eu, por exemplo, já comecei a preparar a playlist.

Mas podem passar milhares à sua esquerda, milhares à sua direita, você vai olhar mesmo é o cara que inspira confiança. E isso é fundamental!

Quando você já está com sua auto-estima trabalhada, não sofre de tantas inseguranças como nos 15 anos, já sabe o que quer de cor e salteado... ele aparece e te tira do prumo.

O cara seguro é tu-do e mais um pouco, vai por mim.


3 – Não é preciso ter 30 para ter 30

Ok, explico. Eu me sinto com 30 anos desde os meus 27. Estranho, né? É. Considerando que minha coluna travou a primeira vez quando tinha 28... 

E haja Salompas.

Ok, já falei desse assunto no primeiro tópico. Parei.

Essa semana um amigo de 24 veio se queixar comigo que o namorado não quer nada com nada, não pensa em futuro. Oi? Futuro aos 24? Nessa idade eu só queria ferver, gente.

O que eu falei pra ele? Relaxa, baby. Parece até que já tem 30 anos.... eu heim.

Se não bastasse isso, surgiu um outro amigo – este de 26 anos – reclamando de dor na coluna. Ficou uma semana afastado do estágio – não, sorry. Trabalho mesmo – porque a coluna travou.

Ok, não falo mais sobre o assunto. Prometo.


4 – Bom mesmo é viajar!

Antes uma boa respirada fundo já aliviava minha tensão. Quando o bicho pegava mesmo ia pra Pedra do Arpoador, escolhia um lugarzinho que eu conseguisse ver a imensidão do mar numa boa... e, tcharam! Bye bye pressão!

Agora, quando tô estressada o que eu quero? O quê? Não tô ouvindo... fala mais alto. Ahhh... o que eu quero? Viajar!

Pode ser pra fora, aqui no Brasil mesmo, uma escapadinha de três dias em Búzios – fora de temporada, convenhamos – ou uma de 20 dias desbravando a Europa. Tanto faz. Eu só quero é sair da rotina, conhecer gente nova, outras histórias, sentir frio e calor de um jeito diferente, tirar um milhão de fotos e dormir tendo hora para acordar combinada com o guia turístico.

Simples assim.


5 – Tudo passa

Estar apaixonada é uma delííícaaaa....

Epaaaa

Não. Para tudo.

Paixão é um turbilhão de sentimentos, de neuroses e acontecimentos. Geralmente dura pouco. Aliás, essa é a melhor parte.

Essa é a última dica e a mais importante: TUDO PASSA.


Inclusive momentos bons. Portanto aproveite sem moderação. Mas com responsabilidade. Até porque não tô querendo parar de me divertir, né? Nun-ca que vou estragar a brincadeira! 



segunda-feira, 7 de março de 2016

Fim (?) de festa

 

Fim (?) de festa

- Oi.. oi?

Ele virou a cabeça pro lado.

- Você tá há muito tempo aqui?

- Ah.. um pouquinho....

- E tá indo pra onde?

- Tijuca.

- Mas passa ônibus aqui pra Tijuca?

- Já tô começando a achar que não.

- ;-) ;-) Vai pra Lapa e de lá pega um pra Tijuca. É mais garantido. ;-) ;-)

- É... ;/ ;/ é, uma boa ideia. ;-)

- Olha... não é ele?

- É! Vamos pegar esse?!

- Não acredito!! Passou direto!

Filho da puta, xinguei baixinho.

- Relaxa, o pior já passou.

- ?

- É... a chuva de mais cedo.

- Ah, sim sem dúvida. Ah chuva... mas eu tava resguardada do alagamento.

-?

- Bar, amigos... perfeito pra esperar o temporal parar.

- Agora sim! Esse serve pra gente, né?

Serve, claro que serve pra gen-te, pensei.

Ele me cedeu o lugar. Passei primeiro e logo sentei. No corredor, porque assim não corríamos o risco de sentarmos juntos. Mentira! Ah... mentira deslavada! ;-)) A verdade é que 
todos os bancos estavam muito molhados.

Mas, já dizia minha vó, quem quer mostra que quer. Não é mesmo?

Então, ele se sentou bem do meu lado. De um jeito que o vão do corredor ficava entre a gente, mas não deixava que os olhares e o papo continuassem. 

- Chegamos! Vamos descer aqui, apontei.

- Então... não corre.

- ;-)

- Vamos tomar um chopp.

- ;-)

- Vem!

Me puxou pela mão decidido. E o melhor, não me senti comandada. Na real, odeio me sentir assim: como se tivesse que ir onde mandam. Mas obedeci, delicada e fielmente.

- Acho que todos os lugares estão fechados. ;( Melhor ir pra casa.

- Você quer?

- ?

- Ir pra casa?

- Tá bom,  vamos procurar um lugar pra saideira. Mas só uma! Só uma cerveja, ok?

- ;-)

Achamos! Mentira também. Ele achou. Ficamos em pé bebendo uma Antartica no litrão. Bem num clima fim de festa. Longe do encontro perfeito que geralmente é quase que banhado em Veuve Clicquot.  

Papo vai, papo vem.

- ;)

- :)

28 anos, solteiro, contador, viajante, trilheiro, roots, curte reggae e jazz, adora crianças, mas não quer uma nem tão cedo, está juntando dinheiro pra ir pra Itacaré.

- Está começando a chover.

- É...

- E fora que está na minha hora... aliás já até passou.

- Tá bem, te deixo lá.

- :/

Fomos andando ainda conversando sobre viagens e filhos. São esses os assuntos que, nos meus 30 anos, mais me interessam.

- Eu moro aqui.

Ensaiei pegar a chave para abrir o portão. Mas veio a mão tímida puxando o meu corpo para mais próximo dele. Não titubeei.

Depois do longo e já aguardado beijo, fiquei tímida. E, quase que olhando pra baixo, disse:

- Vou subir.

- Tá bem. Me deixa seu número, pode?

Eu pensei em dar o telefone errado, assim como fazia com os carinhas da noitada no auge dos meus 15 anos. ;/ ;) ;))

- Desculpa, mas esqueci o seu nome...

 - ?

- ;/

- Tiago...

- Tiago do quê?

- Tiago Rodrigues.

- Ah, beleza. É só pra diferenciar aqui no whatsapp.... tem vários Tiagos.





quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

O meu muso



     O meu muso

Aquele jeito dele de desabotoar a camiseta apenas com uma mão já me intrigou. E, confesso, o coração e o resto do corpo corresponderam imediatamente àquele simples gesto. Foi aqui e foi pra mim.

Ainda o sinto.

Parece que meu quarto ainda sente o cheiro daquele homem. Vem a mim, como que de rasteira, todas as lembranças. Vem o olhar, a forma de andar, as pernas grossas, o corpo duro. Vem no modo com que fala comigo sem se perder no meu olhar. Vem todo, vem inteiro.

E eu? Deitada como se no peito dele ainda estivesse.

Quando ele chegou eu era inteira, firme e segura. Mas, agora, eu o imploro. Imploro por mais um beijo, por mais um calor, um abraço com seu cheiro - cheiro de homem - e pela sua barba roçando meu corpo e causando um estranhamento que só gosto de viver de olhos fechados.

Fecho mais forte agora, só pra sentir ainda mais. Sentir quando ele me toca e arrepia meu corpo e quer ficar em mim como tatuagem.

Quando ele entra em mim, me retoma os sentidos como se num segundo eu perdesse a cabeça só pra me encontrar depois. E quando retomo o fôlego, lá está ele. Dentro. E em cima de mim.

Aqui ainda estamos, ofegantes, suados, enlouquecidos e mais conscientes do que nunca. Penso rápido: quero tudo e mais um pouco. Quero cada detalhe para que amanhã possa lembrar. E, quando for a hora de esquecer, fazer o meu corpo recordar.

Ao terminar, um abraço forte. O suficiente. Afinal, é o nosso abraço. A nossa energia irradiada pelo corpo inteiro. E o que antes era tesão, agora se tornou cumplicidade.

E eu? Eu pedi, com aquele olhar que só as mulheres pedem, para que ele ficasse. Ele entendeu, ele sempre entende. E ficou. E ficamos. 



segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Oi! Sou eu! Prazer.

 

Oi! Sou eu! Prazer.

A vida se encarrega. Foi ela que me pegou pelos braços e me trouxe até aqui.

Foi ela quem me viu por aí solitária, meio perdida e me fisgou. Foi essa aí mesmo que me disse que eu era forte, que eu impunha já meu jeito de andar as certezas dela mesma.

Numa manhã de um dia desses, ela virou para mim e disse: vai!

E eu? Atônita. Vou pra onde?

Onde me acho? Onde me encaixo?

A resposta não veio. Mas eu fui. Corpo ereto, concentrada e focada num ponto fixo logo à frente.

Ops.

Tropecei.

Merda.

Olhei pra baixo instintivamente checando meu corpo, se havia machucado, se havia me ferido, se havia sangue. Calma, guria! Tá tudo certo!!

Ergui meus olhos e lá estava ele.

A morte, pensei.

Puta que pariu.

É só ficar tudo bem, tudo caminhando como tem que caminhar, tudo dando certo que vem a porra de uma distração qualquer que te joga no chão.

Muito rápido levantei.

Ok, bora encarar a morte de frente.

Foi só eu tentar balbuciar alguma coisa que o vento forte me fez perder os sentidos. Fiquei confusa, tanto que não sentia meus pés firmes. Aquela força toda me faria volitar. Eu me abati na hora. Até tentei manter a ordem das coisas, mas não enxergava realmente mais nada.

Passou. Coração já vai voltando, batendo conforme os padrões da normalidade.

Pausa.

Ele continuava lá. Na minha frente, parado.

Voltei a tentar falar. Nesse momento veio uma fraqueza nas pernas, uma tontura, quase caio mesmo sem nada ter acontecido. Será que essa coisa está influenciando o meu inconsciente?

Em pensamento, neguei.

E ele? Ele continuou lá, no mesmo lugar.

Continuei dizendo "nãos" intermináveis dentro de mim. A negação àquilo tudo era como um eco.

Nada mudava.

Até que, enfim, a tormenta passou.

O sol apareceu! Ufa!

Abri um sorriso tímido.

Dessa vez eu esperei. Não me precipitei em saber o que estava acontecendo. Só agradeci ao alívio que senti. É bom manter os pés firmes.

E de uma forma muito calma e cordial, olhando fico nos meus olhos, ele me diz: prazer, sou eu, a paixão.


Morri!  



terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Homem Bonito


Homem Bonito

Eu sou daquelas mulheres que gosta de ver um homem bonito. E pra ser bonito não precisa ser um Adonis.

Um homem bonito tem saber olhar, tocar, se deixar ser olhado e deixar ser tocado.

Um homem bonito traz flores, ainda que de mãos vazias. Beija na boca como se fosse a última.

Um homem bonito não precisa ter “tanquinho”. Aliás, em alguns casos, pode até ter barriguinha...ou barriga... rs...

Ele, pra ser bonito, tem que mostrar que lê. Que tem cultura. Que sabe um tantinho mais que você.

Tem que amar futebol, mas deixar o jogo pra lá só por causa de você.

Precisa te admirar, pra ser bonito.

E te olhar...e te querer...

E tem que te achar bela de manhã, à noite, de dia. Com roupa, sem roupa. Penteada, despenteada.

E quando você não estiver a fim, pra ser bonito, o homem tem que entender...


Ahh! Homem bonito! Cadê você?


***Escrito por Helenildes Alcantara, minha mãe. Leia outro texto dela aqui



segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

O próximo encontro

 
O próximo encontro

Uma mão lava a outra. O que tem que ser seu arranja uma maneira de chegar a você. Uma porta se fecha, mas uma janela se abre.

A vida é tão feita de certezas. Não sei por que eu perco tanto tempo pensando nela. Se já está tudo na frente, todos os sinais, todos os caminhos traçados, por que eu resolvi ser racional?

Eu tô falando sério. Eu sou tão racional, que chega ao ponto de quando eu estou chorando eu penso: por que eu tô chorando? Eu mereço esse choro? E se eu tivesse feito tudo diferente?

Queria ser como essas pessoas que choram por chorar. Que deixam tudo escorrer em meia hora de choro descontrolado e depois seguem sua vida. Vivem o luto, sabe?

Mas como assim? Como assim viver o luto, é possível? É ficar triste e se permitir ficar triste?? Eu heim. Eu não!

Tô fora!

Não me permito!

Pronto. Não me permito.

Inclusive já tô indo tomar o meu banho e ficar cheirosa pro meu próximo date. Ele é alto, gato, tem uma barba daquela eu gosto – quem me conhece, sabe – e me abraça como ninguém. Putz, me fez lembrar o passado. Meu pretérito passado tem um abraço que encaixa em mim que é uma coooiiisaaaaa!

Opa, parou!

Cabeça fria.

Bruno tem um sorriso largo e é cavalheiro, uma qualidade que merece ser destacada de tão raro que se tornou. Ele faz o que eu gosto e se esforça pra me fazer feliz.

Então, é com esse vou!


Ops, me atrasei. Deixa correr aqui. Beijo, me liga, tchau.  



terça-feira, 8 de dezembro de 2015

A outra beleza [Resposta ao post anterior]

A outra beleza

É muito interessante quando a gente sofre tentando encontrar a si mesma.

A busca pela autoperfeição é um drama! Tanto sob o aspecto físico, o que, convenhamos, depois dos cinquenta fica apenas no sonho. Mesmo que se faça plástica ou se coloque botox. Aliás, lábios inchados nunca foi sinal de beleza. Aff...

Quanto no íntimo, tanto no pessoal!

Que ilusão será esta que faz com que algumas mulheres, muito mais que os homens, tentem tanto esconder suas idades e não percebem que estas vãs tentativas as fazem ainda mais velhas!!!???

Pode ser que eu esteja errada, mas os monstros que eu tenho visto me fazem gostar ainda mais das minhas rugas.

Mas, eu não quero me repetir falando delas outra vez. Prefiro falar do autoaperfeiçoamento interno, íntimo. Procuro a perfeição que me nutre, que me faz voar, me faz crescer.  Aquela que de fato nos torna mais belos, ainda que as indústrias queiram nos fazer acreditar no contrário.

Não! Não falarei de estéticas visuais! Hoje acordei com vontade de falar da grande necessidade que sinto em me tornar outra pessoa. Hoje quero deixar de lado a neurose de estar fisicamente bem. Quero deixar de lado a busca insana pela eterna juventude.

Hoje eu quero falar de mim. Não do meu corpo, não da minha aparência.

Quero falar do amor que estou aprendendo a sentir, do conhecimento que adquiri nestes 54 anos de vida. Do quanto caminhei  e do quanto ainda preciso e desejo caminhar

Quero falar dessa outra beleza. Da beleza interior. Da única verdadeira, já que sem esta a outra não sobrevive.

A beleza da Alma é a que nos nutre de juventude, de amor, de leveza.

Uma Alma triste num corpo belo? Não quero! É pura ilusão. É impossível que alguém de alma triste revele alguma beleza. Porque a tristeza não é bonita.


Belo é ter a Alma leve, feliz, suave. Por mais que queiramos acreditar que ter um corpo escultural (acho bem ridícula esta expressão) seja o sonho de todas as mulheres, no fundo, nem tão fundo assim, todas nós sabemos que o que queremos mesmo é que sejamos aceitas e amadas apesar da nossa aparência real. 


*** Texto escrito por Helenildes Alcantara, minha mãe, em resposta ao post anterior. ***



domingo, 29 de novembro de 2015

A tal da falta


A tal da falta

Você faz falta. Faz falta rosas na sala. Faz falta sua respiração. Faz falta seu chegar no portão. Faz falta o barulho da cama ao deitar. Faz falta leite quente pela manhã. Faz falta programar a próxima viagem. Faz falta minha mão nas suas coxas nuas. Faz falta meu corpo no seu. Faz falta beijo no nariz. Faz falta de mandar tomar banho. Faz falta brincar no chuveiro. 

Faz falta minha fala interrompendo a sua. Faz falta meu suor. Faz falta seu cheiro.  Faz falta reclamar da sua mãe. Faz falta cosquinha no pescoço. Faz falta música alta aos domingos. 

Faz falta escolher o cardápio. Faz falta fazer bolo. Faz falta seu quadril.

Faz falta seu sorriso. Faz falta seu cansaço, seu ressoar dormindo, meu acordar atrasado, nosso desespero e anseio pelo fim de mais um dia, você abrir a porta, se jogar cansado e eu reclamar de mais um dia puxado.

Faz falta o futuro. Falta o passado, recorro à angustia do presente e foco na incerteza.

Falta faz o seu espaço, a sua hora, a sua intimidade, o seu “me deixa quieto”. Faz também o seu silêncio, o seu olhar que ora implora trégua ora implora mais um round.

Faz falta seus desejos, o nosso desejo, o meu que se torna o seu num piscar de olhos. E lá estamos, num rompante, sendo um só mais uma vez.

Afinal, falta mais o quê? – eu grito.


Volta – sussurro baixinho.