segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Outubro Rosa: 1 dentre os 12 meses coloridos



 O dia que radicalizei e desapeguei das minhas madeixas

Outubro tem uma cor: rosa. Ele se refere às mulheres que encaram a luta contra o câncer de mama – vencendo-o ou não. A campanha começou na década de 90, nos Estados Unidos, e ganhou voos mundiais a favor da prevenção. Àquela época, a doença era arrebatadora e os cuidados ainda bem limitados. Com o tempo, a informação e o avanço da medicina contribuíram e muito para uma vitória significativa: é possível vencer o câncer!

Um dado: segundo o Instituto Nacional do Câncer, mais da metade dos casos de câncer já tem cura. É de se comemorar!

Há mais de um ano, em memória da minha avó – que não resistiu e faleceu no ano 2000 por metástase – encabecei uma campanha de doação de cabelo para confecção de perucas destinadas gratuitamente às portadoras da doença. Eu, claro, cortei o cabelo. E senti uma alegria que gostaria e muito de ter compartilhado com ela. Fica aqui meu testemunho relembrando o dia em que radicalizei o visual e desapeguei de 20 centímetros – apenas – das minhas madeixas.

Felicidade não se explica. Mas a minha, no dia em que cortei o cabelo - sim, o mais curto da minha vida - tem história. Eu passei as últimas semanas lembrando da minha avó, que faleceu de câncer, e de toda a relação que ela tinha com o cabelo. Vó Helena não quis raspar nem quis peruca. Mas uma das cenas que eu me lembro é dela sentada no sofá tirando o pouco das madeixas que restavam. 


Eu tenho o mesmo jeitinho dela: quase nenhum cabelo. Mas que faz uma falta quando ele não está lá onde devia, ah faz.


Infelizmente minha vó não está entre a gente para contar o que ela viveu. Mas sei que, assim como ela, há muitas mulheres que gostariam de um apoio. E, assim como eu, há muitas famílias tentando buscar forças para levantar a autoestima do paciente. 

E, olha, como autoestima faz diferença! Ô se faz!

Para quem quer fazer o mesmo, é fácil. As regras são bem simples. Você só precisa ter 20 centímetros de cabelo para doar. Mede aí, vai! Esse tamanho não é muita coisa. + ter cabelo pintado, colorido, maltratado, tintado, clorificado, alisado ou ralo não vai te impedir de doar. Pode sim! + “ah, tenho pouco cabelo”. Eu digo: para fazer uma franja vai servir! + “não sei se vou gostar do corte”. Respondo: é porque você não se viu ainda de cabelo curto. Tenho certeza que vai ficar linda! Então, que tal simular o novo look?

E o melhor, você pode mandar pelos Correios, caso more longe ou viva fora do Rio de Janeiro. Aqui na cidade maravilhosa há bancos de coleta

Parceria Salão: RM Trends
Fotos: Elaine Neves





quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Confissões da manhã


Confissões da manhã


Foi só eu passar naquele corredor que a barba me chamou a atenção. Mas, discreta que sou, passei direto e ensaiei um ‘bom dia’. E, claro, recebi a resposta, educadamente.


Continuei meu caminho, mas aquela voz grossa já ressoava no meu cangote. Sim, sou rápida. Já comecei a imaginar aquela voz rouca e grave nos pés do meu ouvido, me encantando. Me chamando pra dançar? Não! Me chamando pra embarcar nas loucuras dele.

Eu, sem dizer uma palavra, pedia só pelo olhar para que ele parasse aquela tortura e fosse direto ao ponto. Eu não aguentava mais. Era uma tensão se segurar tanto quando estava louca pra satisfazê-lo. Parece que já sentia o teu cheiro e teu corpo por inteiro me incomodando entre as pernas.

Ok, passou. Respirei fundo e lá fui eu para meu destino. Passaram-se apenas quinze minutos para que a sensação voltasse. Explico: ele não tem nome, ele não tem profissão, não sei se é casado, quais são seus sonhos e ambições, é moreno, tem uma barba robusta, magro e com uma bunda que dá vontade de apertar e morder.

Ele parece esse tipo de homem que te deixa nua só com o olhar. Quando chega perto, te toca tão de leve que quase faz cócegas. Mas, na verdade, ele só quer que você o implore. E depois de tanto pedir, vem com força pra dentro de você. Aí sim. A força, a  masculinidade, o gemido e o cheiro de homem vêm à tona.

Ele não gosta de música clássica, mas conhece todos os compositores mais importantes. Ele gosta de funk e até ensaia passos engraçados para um homem. Ele não come lagosta, mas sabe bem o gosto que tem. Aliás, ele prefere o camarão frito à beira mar. Viaja pra Região dos Lagos no feriadão e adora crianças. Prefere banho frio ao quente, ainda mais quando o corpo ainda está pegando fogo.

Eu até já imagino o dia seguinte. Recuperada do fôlego que ele me tirou na noite anterior, eu abro os olhos e lá está o macho: nu, me olhando de lado, e com o membro já em riste. Só com o corpo eu digo que quero mais. Ele vem andando com aquela calma habitual. Mas eu sei que a agitação é iminente.

E eu? Atravesso o corredor com o brilho no olho e o sorriso de canto de boca que só os amantes entendem e me deparo com um ‘bom dia, tudo bem?’.


terça-feira, 13 de outubro de 2015

Você se sente cobrada aos 30 anos?



The 30th is the new 40th

Ok, chegamos aos 30. Foram uns 10 mil dias vividos sabe-se lá como, estando contigo mesmo na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. Tem como não se amar depois de tantos altos e baixos, idas e vindas, perguntas infindáveis e um coraçãozinho que foi partido e remendado tantas vezes?

Tem! O pior é que tem!

Você chega na “metade da vida” se cobrando família, filhos, uma carreira impecável, viagem ao exterior todo ano e um sorriso no rosto para as selfies.

Não, amada. Quem te pede isso são os outros. E você passou a gostar dessa cobrança. Até porque fez de tudo um pouco para chegar até aqui até se sentir frustrada ao ver sua vida dar de cara com um pano preto.

The end!

Hã? Opa! Peraí!

Quantos textos explicativos têm na internet dizendo como você deveria ser quando chegasse aos 30 anos? Falando assim me sinto como que no século passado. Nem as alunas de Julia Roberts em “O Sorriso de Mona Lisa” – uma história que se passa na década de 50 – pensavam dessa forma.

Um amigo falou pra mim um dia desses: “mas o auge mesmo é aos 34 anos”! Disse como quem diz “calma, ainda temos tempo”. Eu só olhei e tentei ver o que se passava ao meu redor. Tenho colegas, conhecidos, amigos de amigos que passam pelo mesmo probleminha: de reclamarem da idade e esperarem ansiosos por.... pelo que mesmo?

Por ansiarem o nada. Porque a paz que eles almejam nunca virá. Querem filhos. Quando o tem reclamam por falta de tempo! Quando os pequenos crescem mais um pouquinho, se incomodam com as mães dos amiguinhos do colégio. Quando... opa, parei, juro. É um ciclo vicioso.

Eu vos digo: cada idade com seu problema! Mas, os problemas dos 30 são outros.

Explico: a questão aqui é repetir as besteiras que você fazia com 20? Continuar usando os mesmos clichês para explicar as frustrações amorosas? Manter a postura de estagiário quando se é um executivo? Frequentar os mesmos lugares? Atrair os mesmos homens? Não se permitir mudar e seguir em frente com ideias que você viu que não se sustentam mais?

Agora, sim: ainda há tempo, simbora!?