quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

O Rio num dia de chuva

 

O Rio num dia de chuva

Chovia. E quando chove no Rio de Janeiro é a previsão do caos. No Centro da cidade, então... nem se fala. Aqui as pessoas não sabem andar de guarda-chuva. E de fato é complicado. Você tem que olhar para o chão – acredite, são muitas as poças d’água – pro carro que vai passar não jogar água suja na sua roupa limpa, e, principalmente, para o guarda-chuva da pessoa ao seu lado não bater no seu. A neurose é tanta que eu chego a ficar encolhida, agarrada à minha bolsa e com os ombros curvados e as mãos cruzadas tamanha é a vontade de seguir meu caminho sem surpresas.

Atravessar a rua faz parte desse capítulo “chuva no Centro do Rio”. Eu sempre traço uma reta e uma estratégia. Assim não piso em falso, mantenho a minha calça jeans limpa e  minha boca longe de palavrões.

Pausa. São segundos esperando o sinal fechar.

Que susto!

Porra, olho pro lado e tem um cara embaixo da minha sombrinha.

“Desculpa, posso pegar uma carona aqui”?

Se falei não lembro. Mas fiz que sim com a cabeça. Ia ser bem rapidinho – duas faixas de rolamento e só. Ok, duas indo e duas vindo. Mas, tudo ligeiro. E, além do mais, era gatinho. 
Não ia me custar nada.

Naqueles segundos, parada estava e parada fiquei. Olhei pro outro lado, parecendo preocupada e com pressa. Não queria de modo algum olhar pra ele de novo.

“Eu já te vi por aqui. Você trabalha aqui perto”?

Envergonhada, acho que pronunciei um sim entre os lábios.

Atravessamos.

E nessa eu vi o olhar dele de relance. Os meus continuam tímidos.

“Obrigado. Espero te reencontrar num dia de sol”. E lá se foi ele em direção ao Largo da Carioca.

Eu, quase que acamada na Avenida Paulista fria e distante, esbocei um sorriso de lado e me perguntei “sério, eu ouvi isso”?

Não demorou nem meia hora para que eu guardasse o kit chuva e tirasse o casaco. Afinal, esse é o Rio de Janeiro.

O sol voltou!

Ora, é outono. Faz frio e calor. Muda tanto o tempo quanto o meu estado de espírito. Só sei que meu caminho de volta pra casa foi outro por alguns dias. No claro intuito de não reencontrar o tal cara despojado e desprevenido.

Aquele cara devia estar por ali só naquele dia, resolvendo coisas. Mas por que ele perguntou se eu trabalhava por ali? Não, é mentira. Ele nunca me viu. É papo de homem. Tava querendo chamar minha atenção. Eu fico só sacando caras assim. Ele espera uma alma carente cair na lábia dele e créu. Coisa de cafajeste. Claro, deve ser o pior tipo de homem. Veja só. Quanta simpatia! Com uma desconhecida? Imagina eu casada com ele sabendo que ele fala com qualquer uma na rua? Nunca que ia confiar.

As semanas se passaram, eu esqueci do infortúnio e voltei à rotina. Mesmo caminho, mesmas ruas, mesmo sinal.

“Opa”!

Meu Deus, susto de  novo! Eu ando tão distraída. Como é que pode?

“Oi. Bom te ver. E dessa vez num dia tão bonito. Tanto quanto você”.

Jesus, que cantada barata. Devolve que esse aí veio com defeito.

“sabia que ia te ver de novo. Mas, sério... achei que tivesse sido demitida, sei lá... há muito que não te vejo por aqui”.

Olha ele, gente, puxando assunto pra ver se cola.

“Então.. não quero ais te encontrar por acaso”.

Pausa.

Até que olhando, assim, melhor, esse jeito malandro trabalhador é interessante. Esse olhar oblíquo que me deixa encabulada pode render mais. Tô bem precisando de uma aventura mesmo. Vidinha morna de amor romântico não mantém a gente em pé, não é? Vamos dar uma chance.

“A gente podia combinar um cineminha”.

Ah não. Brochei. Tem coisa mais casal que filme de sessão da tarde? E eu aqui crente que ia viver um começo de paixão avassaladora, um sexo descompromissado. Ah vá.

“Legal! Te pego na terça então”.


Pano preto. 



terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Eu só sei viver

Eu só sei viver

Quando eu tinha uns 14 anos, uma das saídas que fazíamos quando éramos jovens – cinema seguido de lanchinho – uma escolheu beber suco de laranja enquanto todos iam  na Coca. Até aí nada demais. O que me intrigou foi a explicação para algo que na época era usual: “não quero ter celulite”. Na mesma hora, pensei: ih, neurótica! Tão nova e tão preocupada, se poupando de viver, mal sabe ela que estresse faz a gente acumular líquido. 

E quantos não foram os arranca-cabelos que geraram umas covinhas no meu bumbum nos últimos anos?

Minha mãe há uns anos falava aos quatro ventos, “quero ser uma velhinha fofa, querida e amiga dos meus netos, daquelas com cabelo branco que deseduca os filhos da minha filha”. Ok, o tempo passou. E ela? Pinta o cabelo a cada quinze dias. Tricô? Nem pensa. Não saber nem pregar botão. Mas ainda continua com o sonho de pegar seu netinho no colo.

Eu me pergunto de onde vem esse medo de envelhecer. Não que eu ache que seja boa. Muuuuito pelo contrário... deve ser um porre! Imagina as minhas dores na coluna triplicadas? Imagina ser tratada como criança? Imagina demorar horas para fazer alguma coisa que eu fazia em meros minutos?

É inevitável. Taí uma coisa que quero estar viva para ver. Não sei se vou esbanjar saúde, se vou aparentar a idade que tenho, se vou descobrir novas formas de fazer sexo ou se vou rir das mesmas coisas. Sei sim que terei muitas histórias para contar. Porque se há uma coisa que faço bem é viver!






domingo, 29 de novembro de 2015

A tal da falta


A tal da falta

Você faz falta. Faz falta rosas na sala. Faz falta sua respiração. Faz falta seu chegar no portão. Faz falta o barulho da cama ao deitar. Faz falta leite quente pela manhã. Faz falta programar a próxima viagem. Faz falta minha mão nas suas coxas nuas. Faz falta meu corpo no seu. Faz falta beijo no nariz. Faz falta de mandar tomar banho. Faz falta brincar no chuveiro. 

Faz falta minha fala interrompendo a sua. Faz falta meu suor. Faz falta seu cheiro.  Faz falta reclamar da sua mãe. Faz falta cosquinha no pescoço. Faz falta música alta aos domingos. 

Faz falta escolher o cardápio. Faz falta fazer bolo. Faz falta seu quadril.

Faz falta seu sorriso. Faz falta seu cansaço, seu ressoar dormindo, meu acordar atrasado, nosso desespero e anseio pelo fim de mais um dia, você abrir a porta, se jogar cansado e eu reclamar de mais um dia puxado.

Faz falta o futuro. Falta o passado, recorro à angustia do presente e foco na incerteza.

Falta faz o seu espaço, a sua hora, a sua intimidade, o seu “me deixa quieto”. Faz também o seu silêncio, o seu olhar que ora implora trégua ora implora mais um round.

Faz falta seus desejos, o nosso desejo, o meu que se torna o seu num piscar de olhos. E lá estamos, num rompante, sendo um só mais uma vez.

Afinal, falta mais o quê? – eu grito.


Volta – sussurro baixinho.



sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Uma coxinha de galinha, por favor!


Uma coxinha de galinha, por favor!

Esperava uma amiga. E, como ainda estava sozinha, pedi um chopp gelado. Nada contra esperar ou ficar sozinha em bar. Mas o amarelinho tem que me acompanhar. Pra mim, ajuda a distrair e o tempo passa mais gostoso.

Ela sempre fala “vamos no Sat’s”! e eu sempre fico arredia pra ir pra lá. Sempre tem algum outro compromisso e eu – confesso – evito aquela redoma. Sim, a gente senta ali e quando vê, ops, três da manhã. É muita gente boa, é muita gente bonita, é muito papo animado e sempre chega um petisco de surpresa. Falam do galeto, mas eu fico com o coração de galinha. E, olha, eu NÂO como coração de galinha – por pena mesmo. Mas ali eu me rendo.

Eu pedi o cardápio só pra olhar o que  tinha pra me oferecer. Na verdade, o Sat’s não precisa de menu. Sempre, invariavelmente, alguém vai aparecer para dar uma sugestão.

E assim o foi. Quando vejo, Ricardo está em pé na minha frente. Levei um susto porque não o via há meses. Posso dizer anos? Ele sem pestanejar deu o palpite dele: “pede o sanduíche de filet mignon com abacaxi”.

Pano preto. Vejam só minha cara.

Eu, na cara, falei: “querido, você tá confundindo com o vizinho. É o Cervantes que serve isso”.
Pense numa pessoa irônica. Prazer, eu.

Sem nem perguntar, ele se sentou. Graças a Deus, não pediu uma cerveja.  O papo continuou e ele tentou ser amistoso. Mas, acontece que não consigo. Ser uma mulher centrada, bem resolvida e discreta não significa aturar tudo. Ricardo ainda me fazia mal, me trazia lembranças ruins, de uma espécie de homem que devia ser extinta.

Estava no fundo do bar, perto do banheiro. Ali sempre é mais calmo no fim da noite. Não sei por que escolhi aquele lugar, já que eu gosto de ver movimento, falar da roupa dos outros, inventar história de vida de quem tá passando pela calçada e reparar na conversa da mesa ao lado. Mas ali estava, ali fiquei.

Ricardo ameaçou um discurso de desculpa pelas coisas que fez, mas muuuito tímido. Ameaçou uma tentativa de “vamos tentar de novo”, mas muuuito tímido. Tentou a aproximação de corpos , mas, bem, muito, muito tímido. E eu que sou exatamente o contrário disso, brinco com quem tem esse tipo de atitude. Quando tô segura, então, ninguém me segura.

Vem uma força interior que me faz subir no salto 15, ter uma barriga chapada e um cabelo ao vento. Ah, e detalhe: ando até em slow motion só para humilhar mesmo.

“Bia! Oi, Bia! Que bom que você chegou. Lembra do Ricardo?” Minha amiga não é tão dissimulada quanto eu, e acabou sendo simpática. Deu dois beijinhos e me arrastou pra mesa de banco alto do lado de fora. A desculpa poderia ter sido “quero um cigarro e aqui dentro não dá, né, Juliana? Você não sabe disso?” Mas não foi.

Bia só olhou pra mim e soltou um sorriso largo e um olhar cúmplice. “Vamos, Rafael tá te esperando lá na frente”.

Beijo, querido.


Tchau, até a próxima. 



segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Se há amor, resista

 

Se há amor, resista

“Não há amor que resista”. Foi o que ele me disse quando a primeira briga começou. Ok, não foi a primeira, mas a mais séria de todas. Nunca fomos um casal de discutir ou ter que conversar sobre todas as coisas. Alguém sempre cedia.

            Mas desta vez eu que não cedo. Cansei de ceder, me entende? Cansei de me calar. Cansei de pensar que ia passar e tudo ia ficar bem. Cansei de tentar de novo. Cansei de esquecer e ter que passar por cima. Decidi, ergui a cabeça e falei. Não falei muito, por toda a eternidade nem o fiz lembrar-se dos sermões de sua mãe. Mas, sim, falei de forma objetiva. Direta como nunca tinha sido em todos esses anos.

            Ele não retrucou. Não respondeu nem esboçou reação. Ele só saiu. E me deixou sozinha. Essa foi a pior parte, embora, no fundo, tenha gostado. Me senti aliviada por ele ter dado as costas. Afinal, era melhor encerrar por ali. Não sabia onde aquilo iria parar.

            Foi ali que o alivio virou desespero. Ele havia ido.

Balela, pensei.

Respirei fundo e mantive a postura ereta. Por dentro buscava forças enquanto recuperava o ar e procurava as palavras que se afugentaram.

Passou.

Tomei coragem.

E fui a sua procura.

Quando olhei pela fresta da porta – do nosso quarto – o vi deitado com os olhos fixos no teto branco.

Não pensei.

Fui até ele.

Cheguei perto. Encostei. Puxei seu queixo em minha direção. E eu, cúmplice e pecadora, deixei que os meus lábios tocassem nos seus.

Devagar.

Um segundo de olhos abertos. O segundo do perdão. Nos segundos seguintes, só amor.



O Samuel, aquele... da academia!

 

O Samuel, aquele... da academia!

Cheguei agitada e fui correndo pro vestuário pra colocar meu uniforme da saúde: calça legging e top. O dia foi corrido no trabalho e estava precisando de um pouco de endorfina para desestressar. Nada que uma boa corrida para esquecer dos problemas e, depois, um banho frio pra acordar de novo.
Mas, no meio do caminho tinha o Samuel.
Samuel estava lá, todo todo. Me olhava diretamente. Negro. Alto. Cheirando a homem. O suor escorrendo pelo rosto. E que rosto! Samuel é lin-do! E me deixa sem palavras. É, ele me deixa sem graça quando me olha daquele jeito.
Eu passei batida por ele. Meu olhar se perdeu.... olhei pro chão, pro teto... não faço ideia pra onde olhei, mas não foi diretamente pra ele. E Samuel é tão grande que mesmo não olhando nos olhos dele, com certeza eu reparei nos braços e nas pernas saradas já pensando que elas me enrolariam à noite e pesariam na minha lordose depois de uma noite de sexo suado.
Devo ter ficado vermelha. Acho até que ele gosta de me ver assim. Deve achar sexy. Deve achar que pode me encurralar a qualquer momento na academia, acender as luzes que piscam no escuro da sala de spinning e explorar todos os espelhos.
Lá fui eu pra esteira. Foi só eu conectar na minha play list – escolhida a dedo pelo meu amigo gay, o de(quase) todas as horas, sabe? – que Samuel me aparece. Que susto! Ele precisa aparecer logo assim, do nada, do meu lado?
Se inclinou na minha frente e lançou um “oi”. Gelei.
Pela minha timidez, preferiria uma abordagem pelo whatsapp. Mas, ok, estamos aqui; então vamos em frente.
Eu retribuí: “oi”. E ele, direto que só: “vai usar só por meia hora”?
Sem palavras.
Dessa vez, fui eu que inclinei pra frente. Diminuí nossa distância e tirando os fones do ouvido, falei: “desculpa... o quê”?
Samuel manteve o olhar e sem piscar me perguntou novamente se eu iria ficar na esteira por tão pouco tempo. Eu tentei responder, mas ele não me deu chance. A essa hora eu já devia estar roxa, mas, por dentro, era um poço de curiosidade. Era o que me movia. O tesão e a expectativa do que aconteceria.

Não demorou um segundo para irmos para a lanchonete. Eu pedi um suco de laranja com cenoura sem açúcar e ele uma vitamina que não sei nem quantos ingredientes tinham. Quando o pedido chegou, pensei que seria proporcional ao seu tamanho. E, claro, se fazia jus a tudo mesmo!!

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Sobre Viver


segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Quando eu digo "não" querendo dizer "sim"




Quando eu digo "não" querendo dizer "sim"

Quando me pego pensando em você me pergunto se entendeu de fato o que eu disse. É justamente nessa hora que te acho burro, limitado, ignorante. Como um homem não percebe que o meu ‘não’ é um ‘vem, me aquece’? Como você, que me conhece como ninguém, não consegue distinguir pelos meus olhos o tempo certo entre o ‘não’ e o pensamento latente do ‘me pega’?
Se fosse ‘não’ não te esperaria com o frio na barriga, não te colocaria a mesa do jantar, muito menos comeria com você. Se fosse como acha não me depilaria, não me vestiria para você, não te fazia gozar. Estaria com a cara virada, indiferente às suas reações, criando desculpas e pedindo conscientemente ‘goza logo’.
Dormiria trancada em mim mesma e sentiria com aflição o peso das suas pernas nas minhas. Reclamaria da sua mania de falar dormindo, reclamaria do banho rápido, reclamaria da conta não paga, reclamaria dos seus horários estranhos de trabalho, reclamaria, reclamaria e reclamaria.
Até o dia em que ‘tudo bem’. Tudo bem se você chegar tarde... ou cedo demais, tudo bem se não for dormir na mesma hora que eu, tudo bem se sair e não perguntar se quero ir.
Não!
Eu tô bem com você aqui.
Não, não vai!
Não, fica!
Não, me agarra!
Não, me beija!
Não, faz assim!
Não é mais.
Não mais.
Não mais planos separados. Não mais rostos e direções tangentes mas distintas, não mais cinema sozinha. Não mais cama fria. Não mais mãos largadas.
Sim, vem!
Sim, tô aqui!
Sim, sou sua!
Sim, me ama!

Que eu sou toda ‘sim’, pro que der e vier, para a vida toda, haja o que houver.



terça-feira, 3 de novembro de 2015

Saudade


Saudade

Foi assim: mandei na lata. Como dizem os meus amigos paulistas, mandei ver!

A mensagem foi simples: “saudade”.

Eu disse a eles que não era preciso ter coragem pra dizer isso. Aliás, eu fui muito sucinta. Eu gostaria de ter escrito muito mais.

Por trás daquele texto, estava toda a minha vontade em dizer que ele faz parte da minha vida desde quando eu levanto até a hora de dormir. E que mesmo assim peço aos guias espirituais que eu sonhe com ele só pra matar o desejo do cheiro e do toque.

Queria dizer que eu sinto o movimento da cama quando é hora dele ir trabalhar. Que quando eu levanto no meio da noite ainda o faço com delicadeza para não lhe acordar. Que eu sussurro um ‘bom dia’, mesmo não o levando até a porta para mais um dia de trabalho. Meu sono é pesado, ele sabe. Mas que por trás da minha tentativa de abrir o olho e naquele resmungar pela manhã está o maior desejo do mundo para que ele seja o destaque no trabalho, o homem mais cobiçado e competente já visto e que ele retorne pra casa cheio de novidades, questionamentos e certezas que iremos descobrir juntos. Ele é um dos melhores para conversar, inclusive. Me indica pontos de vista novos. Está longe de concordar tudo comigo. Confesso: odeio gente que concorda sempre comigo.

Ele sabe concordar nas horas certas.

Foi assim que eu me apaixonei.

E a falta que sinto é ainda maior que seu beijo acalorado, que seu beijo tímido na frente dos familiares, que seu beijo me chamando pra ser sua, que seu beijo me pedindo conselhos e cafunés. Ele é tudo isso. E mais.

É ele que me faz dormir toda noite. É a nossa intimidade que faz meu corpo descansar e ficar totalmente encaixada no dele. É ele que lembra das minhas questões existenciais quando me deixa irritada. É ele que se cala esperando que eu me cale também.

É ele que traz a mim a minha maneira de viver e de ver a vida. Não é por ele, mas sim com ele.

Os meus amigos cariocas diriam, “nossa, branca, mas tu é verdadeira mermo. Ô mulher pra falar tudo que pensa”.


Eu só penso: “aahhh se eu falasse tudo que eu penso”.



quinta-feira, 29 de outubro de 2015

LISTA: 5 conselhos que nenhuma mulher deve dar a outra



Pior coisa que homem machista é mulher machista. Pronto, falei.

Vamos analisar bem antes de repassar tudo que nossas avós e mães falavam pra gente como se fosse verdade absoluta. Acredite: talvez nem com elas tantos conselhos de século passado deram certo.

Aceite a vontade de transar... É bom.. É normal...  não engorda... E te deixa com um sorriso largo que é uma beleza. Ah, e geralmente te deixa ainda mais bonita.
Então, deu vontade? Veste a camisinha e vai na fé!


Quem teve essa ideia i-di-o-ta de compensar um preconceito com um elogio? Um preconceito é um preconceito e pronto!

E, só pra constar, eu conheço gordinhas muito feias. E magrinhas também... rs...



Não, querida, não vai. Aliás... vai sim, mas não pra pior., como querem te fazer  acreditar. Ele muda pra melhor. Porque se mostra por inteiro. Se mostra como é de verdade. Ele não faz mais joguinhos de sedução e relaxou contigo, no bom sentido. Ele se sente à vontade pra ser o que ele é. Sem julgamentos ou culpas. Portanto, seja também por inteira. Com seus medos, olheiras, angústias, chulé, receios e assuma que não é a mulher perfeita. Afinal, ninguém é.


Talvez você tenha convivido com homens sem noção e mulheres submissas. Muita gente criou estereótipos a partir disso. E começou a achar que nenhum homem prestava. É... Talvez na sua vida inteirinha você não tenha visto um. Porque está cercada de atitudes machistas que se perpetuam por anos.

Mas eu te digo: homens íntegros existem. O desafio é: quando um deles aparecer você tem que identificar! E mais: acreditar que, sim, ele está bem ali na sua frente. E não ficar zombando de escolhas decentes e posturas coerentes que toda mulher quer. Querida, você passa a vida toda procurando e quando ele esbarra em você, parece que viu uma miragem? Não dá, né?!

Fica a dica: o mundo está repleto de homens bons e é só uma questão de reconhecê- los!



Eeeeeppaaa!!! Radar machismo ativar!                                                                                 

Qual é o problema de estar sozinha? Escolher ficar sozinha? Ou simplesmente não ter achado alguém tão bom pra você ficar? Afinal, não se dá a mão pra qualquer um...              
                                                                                                         

Se não é falta de opção é escolha. Se dê o direito de assumir isso! E mais: respeite a sua amiga quando ela optar por ficar sozinha.




segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Como a vida surpreende e se reinventa

 A história de duas mulheres que perderam seus maridos

45 anos. Dois filhos. Administradora de empresas. E um desabafo: ainda sinto culpa.

35 anos. Sem filhos. Do lar. E um conselho: viva tudo que há pra viver porque você nunca sabe quando pode terminar.

As duas perderam seus maridos de forma inesperada; a primeira num acidente de carro, a segunda num infarto fulminante. Sofreram. E muito. Sofreram de uma forma que ninguém pode imaginar, julgar nem questionar. A tristeza é profunda, iminente e sem precedentes. As duas me confidenciaram – exatamente com essas palavras – “a vida continua”.

E, de fato as histórias tomaram os seus rumos. Naturalmente, dizem. Não tá fácil assim, eu amenizo.

Tanto uma quanto outra já estão em relacionamentos duradouros, se permitiram amar de novo, guardaram seus casos de uma vida inteira numa caixa colorida e foram decorar a casa. Afinal, o pesar não precisa ficar exposto num porta-retrato.

Elas se permitiram. Puderam chorar o suficiente. Engolir o soluço quando necessário. Mas escolheram deixar a janela aberta, o tentar de novo, o deixe o sol entrar à cortina semiaberta, ao deixa que assim tá bom, ao um dia passa, ao observar a chuva fina estando trancada no quarto.

Uma coisa é certa: o eterno afeto. As duas argumentaram a favor do tempo, e às vezes contra ele, dizendo que passava rápido demais. Mas confessaram seu lugar especial na vida, nas lembranças e até no dia a dia de alguém que se foi e só deixou alegrias.

Se você tivesse que escolher, preferiria um amor perdido no auge da relação ou um fim conturbado com todas as brigas e angústias esperados? No contraponto dessas mulheres, eu digo: optaria pelo segundo. Esgotaria todas as possibilidades daquele relacionamento. E se não desse certo, não foi por falta de tentativa nem disposição. Foi porque a vida pegou de surpresa, mostrou a infinita possibilidade que ela tem de se reinventar e seguiu em frente. Até porque, querendo ou não, ela sempre segue.



quinta-feira, 22 de outubro de 2015

O silêncio que nos une


O silêncio que nos une

O silêncio que angustia, aprisiona e, ao mesmo tempo, sim, me liberta. Essa falta de palavras é uma distancia chamada simbiose. Um modo um tanto surpreendente do amor se manifestar. Prefiro não falar o que pode chocar, melhor até nem expor o que por trás guarda uma grande certeza.

O seu silêncio me faz crer que nada foi terminado, que nem tudo foi vivido e que ainda há muito para se comunicar.
As coisas mudam. E quando elas mudarem não será necessário verbalizar nada. Falar pra quê?

Ainda guardo os melhores momentos em silencio. O teu olhar perdido, o teu olhar focado e atento, a respiração ofegante e até mesmo a calma. Ainda mantenho você aqui comigo. E não preciso falar nada.

Se eu me permito, eu me respeito. Se eu me garanto no ‘sim’, mantenho o teu ‘não’ longe de mim. Se me guardo em silêncio, não me faltam palavras. Se confio o teu silêncio não é na crença de que não queres falar.

Quando na hipérbole da vida a gente se reencontrar, será que são só as palavras que vão faltar? A mim não quero que falte respeito, o tesão, o continuar junto, a energia que converge em amor, o olho no olho nem a pele na pele. A você não quero que falte vontade.

A você não permito que falte a coragem. 


Mas deixo que continues mudo, afinal, nossas melhores lembranças serão sempre as das sem palavras



segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Outubro Rosa: 1 dentre os 12 meses coloridos



 O dia que radicalizei e desapeguei das minhas madeixas

Outubro tem uma cor: rosa. Ele se refere às mulheres que encaram a luta contra o câncer de mama – vencendo-o ou não. A campanha começou na década de 90, nos Estados Unidos, e ganhou voos mundiais a favor da prevenção. Àquela época, a doença era arrebatadora e os cuidados ainda bem limitados. Com o tempo, a informação e o avanço da medicina contribuíram e muito para uma vitória significativa: é possível vencer o câncer!

Um dado: segundo o Instituto Nacional do Câncer, mais da metade dos casos de câncer já tem cura. É de se comemorar!

Há mais de um ano, em memória da minha avó – que não resistiu e faleceu no ano 2000 por metástase – encabecei uma campanha de doação de cabelo para confecção de perucas destinadas gratuitamente às portadoras da doença. Eu, claro, cortei o cabelo. E senti uma alegria que gostaria e muito de ter compartilhado com ela. Fica aqui meu testemunho relembrando o dia em que radicalizei o visual e desapeguei de 20 centímetros – apenas – das minhas madeixas.

Felicidade não se explica. Mas a minha, no dia em que cortei o cabelo - sim, o mais curto da minha vida - tem história. Eu passei as últimas semanas lembrando da minha avó, que faleceu de câncer, e de toda a relação que ela tinha com o cabelo. Vó Helena não quis raspar nem quis peruca. Mas uma das cenas que eu me lembro é dela sentada no sofá tirando o pouco das madeixas que restavam. 


Eu tenho o mesmo jeitinho dela: quase nenhum cabelo. Mas que faz uma falta quando ele não está lá onde devia, ah faz.


Infelizmente minha vó não está entre a gente para contar o que ela viveu. Mas sei que, assim como ela, há muitas mulheres que gostariam de um apoio. E, assim como eu, há muitas famílias tentando buscar forças para levantar a autoestima do paciente. 

E, olha, como autoestima faz diferença! Ô se faz!

Para quem quer fazer o mesmo, é fácil. As regras são bem simples. Você só precisa ter 20 centímetros de cabelo para doar. Mede aí, vai! Esse tamanho não é muita coisa. + ter cabelo pintado, colorido, maltratado, tintado, clorificado, alisado ou ralo não vai te impedir de doar. Pode sim! + “ah, tenho pouco cabelo”. Eu digo: para fazer uma franja vai servir! + “não sei se vou gostar do corte”. Respondo: é porque você não se viu ainda de cabelo curto. Tenho certeza que vai ficar linda! Então, que tal simular o novo look?

E o melhor, você pode mandar pelos Correios, caso more longe ou viva fora do Rio de Janeiro. Aqui na cidade maravilhosa há bancos de coleta

Parceria Salão: RM Trends
Fotos: Elaine Neves





quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Confissões da manhã


Confissões da manhã


Foi só eu passar naquele corredor que a barba me chamou a atenção. Mas, discreta que sou, passei direto e ensaiei um ‘bom dia’. E, claro, recebi a resposta, educadamente.


Continuei meu caminho, mas aquela voz grossa já ressoava no meu cangote. Sim, sou rápida. Já comecei a imaginar aquela voz rouca e grave nos pés do meu ouvido, me encantando. Me chamando pra dançar? Não! Me chamando pra embarcar nas loucuras dele.

Eu, sem dizer uma palavra, pedia só pelo olhar para que ele parasse aquela tortura e fosse direto ao ponto. Eu não aguentava mais. Era uma tensão se segurar tanto quando estava louca pra satisfazê-lo. Parece que já sentia o teu cheiro e teu corpo por inteiro me incomodando entre as pernas.

Ok, passou. Respirei fundo e lá fui eu para meu destino. Passaram-se apenas quinze minutos para que a sensação voltasse. Explico: ele não tem nome, ele não tem profissão, não sei se é casado, quais são seus sonhos e ambições, é moreno, tem uma barba robusta, magro e com uma bunda que dá vontade de apertar e morder.

Ele parece esse tipo de homem que te deixa nua só com o olhar. Quando chega perto, te toca tão de leve que quase faz cócegas. Mas, na verdade, ele só quer que você o implore. E depois de tanto pedir, vem com força pra dentro de você. Aí sim. A força, a  masculinidade, o gemido e o cheiro de homem vêm à tona.

Ele não gosta de música clássica, mas conhece todos os compositores mais importantes. Ele gosta de funk e até ensaia passos engraçados para um homem. Ele não come lagosta, mas sabe bem o gosto que tem. Aliás, ele prefere o camarão frito à beira mar. Viaja pra Região dos Lagos no feriadão e adora crianças. Prefere banho frio ao quente, ainda mais quando o corpo ainda está pegando fogo.

Eu até já imagino o dia seguinte. Recuperada do fôlego que ele me tirou na noite anterior, eu abro os olhos e lá está o macho: nu, me olhando de lado, e com o membro já em riste. Só com o corpo eu digo que quero mais. Ele vem andando com aquela calma habitual. Mas eu sei que a agitação é iminente.

E eu? Atravesso o corredor com o brilho no olho e o sorriso de canto de boca que só os amantes entendem e me deparo com um ‘bom dia, tudo bem?’.


terça-feira, 13 de outubro de 2015

Você se sente cobrada aos 30 anos?



The 30th is the new 40th

Ok, chegamos aos 30. Foram uns 10 mil dias vividos sabe-se lá como, estando contigo mesmo na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. Tem como não se amar depois de tantos altos e baixos, idas e vindas, perguntas infindáveis e um coraçãozinho que foi partido e remendado tantas vezes?

Tem! O pior é que tem!

Você chega na “metade da vida” se cobrando família, filhos, uma carreira impecável, viagem ao exterior todo ano e um sorriso no rosto para as selfies.

Não, amada. Quem te pede isso são os outros. E você passou a gostar dessa cobrança. Até porque fez de tudo um pouco para chegar até aqui até se sentir frustrada ao ver sua vida dar de cara com um pano preto.

The end!

Hã? Opa! Peraí!

Quantos textos explicativos têm na internet dizendo como você deveria ser quando chegasse aos 30 anos? Falando assim me sinto como que no século passado. Nem as alunas de Julia Roberts em “O Sorriso de Mona Lisa” – uma história que se passa na década de 50 – pensavam dessa forma.

Um amigo falou pra mim um dia desses: “mas o auge mesmo é aos 34 anos”! Disse como quem diz “calma, ainda temos tempo”. Eu só olhei e tentei ver o que se passava ao meu redor. Tenho colegas, conhecidos, amigos de amigos que passam pelo mesmo probleminha: de reclamarem da idade e esperarem ansiosos por.... pelo que mesmo?

Por ansiarem o nada. Porque a paz que eles almejam nunca virá. Querem filhos. Quando o tem reclamam por falta de tempo! Quando os pequenos crescem mais um pouquinho, se incomodam com as mães dos amiguinhos do colégio. Quando... opa, parei, juro. É um ciclo vicioso.

Eu vos digo: cada idade com seu problema! Mas, os problemas dos 30 são outros.

Explico: a questão aqui é repetir as besteiras que você fazia com 20? Continuar usando os mesmos clichês para explicar as frustrações amorosas? Manter a postura de estagiário quando se é um executivo? Frequentar os mesmos lugares? Atrair os mesmos homens? Não se permitir mudar e seguir em frente com ideias que você viu que não se sustentam mais?

Agora, sim: ainda há tempo, simbora!?